Nada disso é seu
Acredite, isso é libertador...
A diferença entre dono e mordomo
Você já parou para pensar na diferença entre ser dono de algo e ser apenas o mordomo?
Quando acreditamos que somos donos absolutos de tudo o que conquistamos, a vida se torna pesada. Qualquer perda gera desespero, porque colocamos nossa segurança em conquistas terrenas que podem desaparecer a qualquer momento (nas palavras de Jesus: “onde a traça e a ferrugem corroem”, Mateus 6.19).
Ao reconhecermos que tudo pertence a Deus, deixamos o peso do controle de lado e assumimos o papel de gestores. Passamos a viver com mais paz, humildade e responsabilidade, buscando alinhar nossas decisões com a vontade do verdadeiro Proprietário.
Na teologia cristã, o nome que se dá para isso é mordomia cristã. É justamente o conceito de que todas as coisas pertencem a Deus e que nós, seres humanos, temos a responsabilidade de zelarmos por tudo isso como bons mordomos ao seu trabalho. John Wesley, em seu sermão entitulado “O Bom Mordomo” , diz que devemos utilizar todas as nossas capacidades para zelarmos com o máximo de excelência sobre aquilo que Deus nos confiou.
E por último, mas não menos importante, somos lembrados de que prestaremos conta de tudo isso diante do Senhor. A mordomia é temporária e finda com a morte. No julgamento final, cada pessoa dará conta do uso exato de tudo o que lhe foi confiado (veja Lucas 16.2). Tudo em torno da questão se os recursos que recebemos de Deus foram aproveitados para expandir o Seu Reino e, acima de tudo, se a nós correspondemos e frutificamos à ação do Espírito Santo em nossa vida.
O equilíbrio entre esforço e graça
Isso não significa cruzar os braços. O trabalho duro e a dedicação são fundamentais, e a própria Bíblia nos ensina sobre a importância do empenho (veja Provérbios 6.6-11). No entanto, o segredo está em lembrar que o sucesso nunca é mérito exclusivamente nosso, antes, é sustentado pela graça e pelo favor de Deus.
Essa perspectiva transforma nossa relação com a prosperidade e com os momentos de escassez. Aprendemos a encarar ambas as fases com gratidão, entendendo que Deus pode usar tanto a bonança quanto as provações para o nosso amadurecimento (leia Eclesiastes 7.14). O mesmo Deus que nos dá confiando em nossa mordomia, é o Deus que tira segundo Seu propósito e desígnios, que são muito maiores e melhores do que os nossos próprios pensamentos e achismos (veja Isaías 55.8-9).
Jó viveu e expressou exatamente essa verdade. Quando ele perdeu seus bens e seus filhos, ele não reagiu como alguém que teve algo “roubado”, mas como um mordomo de quem o verdadeiro Senhor recolheu o que era d’Ele: “O Senhor o deu, e o Senhor o tomou; bendito seja o nome do Senhor” (Jó 1:21).
A lição do brinquedo emprestado
Pense em uma experiência simples de infância: quando você pegava um brinquedo emprestado de um amigo. Você brincava, aproveitava cada minuto, mas sabia que aquilo não era seu. Quando chegava a hora de devolver, não havia motivo para ficar chateado. Afinal, você apenas desfrutou de algo que lhe foi confiado temporariamente.
É essa mesma postura que devemos ter diante do Senhor: Alegres quando Ele nos dá algo, prontos e gratos quando Ele pede de volta. Viver com as mãos abertas é confiar que, independentemente do que vem ou vai, o propósito dEle é sempre perfeito.
Quer se aprofundar um pouco mais nessa reflexão? Assista ao vídeo completo onde detalho essa mensagem e compartilho mais insights sobre como aplicar essa mentalidade no dia a dia:


